quarta-feira, 2 de junho de 2010

Nativismo, Patriotismo e Copa do Mundo

Recentemente, às vésperas de mais uma Copa do Mundo, temos visto muitas pessoas se manifestando tanto pró-Copa quanto contra a mesma. No Brasil temos um problema: nos enclinamos totalmente, enquanto Sociedade, a este evento, o que é no mínimo discutível.

Pois vejamos. Há bem pouco tempo me vi defendendo ao menos um dos porquês que leva o Brasil a mudar sua cara perante a Copa, resumindo-a em "Política do Pão e Circo". Essa visão gera duas consequências: 1) somos uma Sociedade manipulada; e 2) somos manipuláveis porque sempre fomos (e somos) carentes. Não sou profundo conhecedor da História, pouco sei de geopolítica e, infelizmente, ainda tenho interesse restrito pela Política, mas precisamos ser um pouco mais crítico e ão apenas julgarmos a nossa "alienação consentida", sobretudo quando em Copa do Mundo, que é um evento de calão mundial. Explicarei meu ponto de visa.

Historicamente o povo brasileiro sempre foi e, em singela análise da conjuntura geopolítica nacional, continuaremos por vindouros anos (não tão dourados assim, creio) clamando por um líder social. É lógico que já tivemos em alguns momentos nossos "mestres", vide exemplos como Zumbi, "Padin Ciço", Garibaldi, os marinheiros negros da Revolta da Chibata, Lula (?), entre outros. Ocorre porém que ainda assim, ao menos em meu juízo de valor, ainda somos aquele povo que por duas ou três assistiu uma movimentação das Forças Armadas para vê-las defender os interesses sociais (delas). Isso é triste.

Destarte, acabamo-nos por sermos uma nação manipulável, e um exemplo que frequenta meu imaginário como um incessante ruído interno é o fato de não termos até bem recentemente aulas obrigatórias de filosofia e noções basilares de Direito (ainda não temos essa opção) para jovens estudantes dos Ensinos Fundamental e Médio. Pior, mesmo pessoas mais instruídas caem em um comodismo deplorável - a meu ver, um "pacto de mediocridade": "Eu não sou manipulado pela mídia, mas só gosto de novelas (?) da Globo" - pequeno exemplo. É como o viciado que insiste em acreditar que para de consumir a substância quando quiser.

Retornando ao título e finalizando minha exposição. Pensemos em um povo que ama sua terra "abençoada por Deus e bonita por natureza" e, via de regra, a defende indisponivelmente (mesmo que reconhecendo suas mazelas, como ser definitivamente maltratado por inúmeros setores de prestação de Serviços estatal), pensaremos em nós. O escapismo que nos desloca a sermos tão instintivos quanto à Copa deve ser combatido, para não nos tornarmos ainda mais manipuláveis e coerentes; mas precisamos entender que o sofrimento nos leva a medidas extremas de compensação - e nesse quesito o brasileiro da aula (de criatividade)!

Um comentário:

  1. Devemos nos curvar ao capitalismo, que nos diz que temos que "produzir, produzir, produzir"? Não vejo mal algum em um povo que tanto trabalha (jornada de trabalho exaustiva se comparada a diversos países), de 4 em 4 anos dispensar 1h e 50 min de seu tempo de PRODUÇÃO (por mísera remuneração, diga-se de passagem)para assitir àquilo que é considerado, hoje, cultura nacional, motivo de alegria de um povo q sofre. E a idéia da ideologia dominante é essa msm: produza! produza! produza! Acho q chegou a hora de pararmos de malhar a nós msms por nossas manifestações festivas, esportivas, culturais... Enquanto não nos valorizarmos e aceitarmos nossa identidade cultural em suas diversas formas de manifestação, continuaremos a nos comparar com os outros e a viver à sombra, no atraso, copiando modelos,...

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