Ninguém nasce sabendo, seja viver ou dirigir. Viemos ao mundo com um objetivo único: aprender. É a partir desse verbo que se estabelecem todos os outros aos quais almejamos: a vida é sempre uma locução verbal, em que um dos verbos é sempre “aprender”. Aprender a ser, aprender a ter; aprender a viver, aprender a dirigir...
É engraçado notar o quão ávidos são os jovens; tão precoces, querem sempre adiantar as etapas, atos vinculados à idade. Para os homens, principalmente, o dirigir, fruto adquirido com a maioridade civil, aos 18 anos, é o símbolo dessa “necessidade de chegar lá”. Ainda que não saibam, esses mesmos jovens são aqueles que, mesmo que nunca tenham dirigido antes, já o fazem; porque, antes, aprenderam, bem ou mal, cedo ou tarde, de uma forma ou de outra, a viver. Por que, então, ir a um Centro de Formação de Condutores? Porque, ninguém aprende sozinho; ou melhor, começa a aprender, já que muitas coisas no “trânsito da vida” devemos conquistar sozinhos.
A princípio, nos é ensinado que dirigir é ter atenção, e que viver é prestar atenção. Enquanto “se dirige por você e pelo outro, que você não sabe o que pode fazer”, vive-se segundo a idéia de que “o meu espaço termina onde o seu começa”. O que é preciso saber, de fato, é aprender...
Aprendi que antes de dirigir é preciso pedir a proteção e a interseção Dele, e que viver é, a cada dia, uma prova de que é preciso, cada vez mais, aprender a confiar nessa interseção/proteção e, também, agradecer. Aprendi que o sinto de segurança e o freio são a cautela que devemos ter no dia-a-dia; e que o acelerador é a autoconfiança, a coragem que nos locomove... a viver. Buracos e quebra-molas são obstáculos transpassáveis; afinal, mesmo quando o carro “morre” você pode “virar a chave” e seguir até a próxima porta que a vida lhe apresentar.
Aprendi que não importa o quão apressados, nervosos, imprudentes são os motoristas ao redor: ao viver é preciso, sempre, buscar apoio em suas próprias convicções para poder dizer a si mesmo: “estou na pista certa e na velocidade permitida”. Que não devemos mudar de faixa ou direção sem sinalizar, afinal, nenhuma pessoa/nenhum carro saberá o que estou fazendo e poderemos colidir. Aprendi que não devemos andar acima da velocidade permitida, porque além de colocarmos muitas coisas em risco, perdemos ruas/oportunidades que nos interessavam – e que nem sempre há um retorno no caminho.
Aprendi que ao dar a marcha ré ou mesmo enquanto se dirige não se pode olhar para trás, afinal, não se deve olhar para uma única direção – nem mesmo com somente uma visão acerca do mundo que nos rodeia. E que mesmo quando a decisão é a de parar abruptamente, é preciso olhar o retrovisor: nem sempre o que está atrás de nós é tão inofensivo quanto parece – nem sempre o que achamos ter deixado para trás realmente o foi.
Aprendi, ainda, que temos que dominar a máquina, seja o carro ou o corpo. Aprendi que ninguém é o “sabe tudo” e que a experiência nos faz dizer que: “tenho muito ainda a aprender”. Porque, afinal, como se diz, viver e dirigir: é só começar!
PS: Fiz esse texo há algum tempo, em 2008, na verdade, com intuito de ajudar algumas pessoas próximas a mim que estavam em situação... complicada.
Caramba, que criatividade, ficou brilhante!
ResponderExcluirAdorei as comparações, ficaram perfeitas. ;]
Cheguei a duas conclusões:
1. EU NÃO APRENDI TUDO SOBRE "VIVER", E ACHO QUE MORREREI TENTANDO APRENDER;
2. PRECISO APRENDER A DIRIGIR! Rsrs...
Beijos
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirBrindemos à "locução verbal, em que um dos verbos é sempre 'aprender'". ^^
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